sexta-feira, 17 de abril de 2009

DOSES HOMEOPÁTICAS DE COMUNICAÇÃO E SUAS POSOLOGIAS


Telefone móvel, Skype, MSN, Orkut, My Space, rede WI-FI e uma série de bugigangas que estão ao nosso redor para reforçar a nossa necessidade de comunicação. Por outro lado, eu ainda não consigo compreender como persiste tamanho ato de “filha-da-putice” que muita gente adota em vários lugares ao aplicar o “silêncio hierárquico”.

O silêncio hierárquico, como eu gosto de chamar, é justamente aquela situação típica em que, por exemplo, se encontra em um elevador um homem de uniforme típico de empresas de terceirização e no andar seguinte entra outro, como se diz no bom nordestino: “Alinhado que só meio fio”, de terno ou paletó (Na goma!). Tipo assim, a situação mais razoável de comunicação a ser estabelecida é um básico cumprimento, mas por estar hierarquicamente mais bem vestido (acho que isto induz as pessoas a se acharem superiores) o cara de paletó entra na caixa metálica sem dar um pio e fica contando os segundos olhando para o teto, chão ou para a paisagem de aço escovado que está na sua frente. Isto também vale para o cara de uniforme, que também se inferioriza devido a sua casca.

Nesses dias eu estava tranqüilo tomando a minha cerveja de final de expediente no bom e velho “Jó” (o melhor botequim da rua da minha casa), que fica praticamente do lado de outro bar, este famoso por reunir a galera “jovem da alta” para o pit-stop de início de night e seus carrões e motos. Observando da minha mesa um rapaz que descia do seu carro e ignorava como se não existisse um garoto flanelinha que na sua frente pedia uns trocados, eu comecei a lembrar da constante revolta que me atinge pela manhã quando pego o mesmo elevador com algumas das muitas pessoas importantes (pelo menos é o que as suas vestimentas dizem) que habitam o empresarial onde trabalho. É foda! Dá vontade de começar uma roda punk dentro do elevador quando essa turma entra, eu dou bom dia e só ouço o eco da minha voz e os “fungadinhos” de quem acabou de sair do ar condicionado do carro. Daí eu também comecei lembrar de uma série de pessoas que eu conheço e encontro por aí e pagam papel de Stevie Wonder fingindo que não me viu. O que é mais foda é que estas mesmas pessoas dias após nos encontram em festas, eventos de mercado e solenidades e chegam na maior cara de ovo chupado: Fala cara! Tudo bem? Na real o pior é que essa galera não só fala assim, como aperta a nossa mão e nos dá aquele abraço. Fuuuuuuu! Aquele abraço é um bicudo do Roberto Carlos cobrando falta de sapato “scarpin” bem no meio dos bagos, o cara chega pra te abraçar na maior gana, você na cordialidade vai em direção aos braços da figura e no momento que a saudação está quase completa, o cara dá aquele passinho de medir barrinha em pelada e você meio que sobra entre os braços e os ombros do mala.

O pior e mais engraçado é que lembrei, enquanto pedia a conta e a cerveja acabava, o quanto eu ficava puto quando aquele político influente daqui do Recife, que também tinha uma sala no mesmo empresarial, entrava no elevador falando e apertando a mão de todo mundo. É dose?!

Peu Souza

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